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Nas tentativas anteriores eu comecei pelo app. Dessa vez estou começando pelo problema.

Como dito no post anterior, vou começar um Build in Public misturado com um Learn in Public e vou estar registrando a minha jornada construindo um produto do zero até alcançar os primeiros 100 usuários. E vai funcionar da seguinte maneira, vou estar postando no meu twitter o dia a dia dessa jornada, as decisões que vou tomar e o que estou estudando. Já aqui no blog, farei posts mais elaborados e estruturados com as coisas que aprendi, mostrando resultados e, ao menos uma vez por semana, trarei atualizações mais robustas do produto.

Então para começar esse novo produto, decidi procurar referências, artigos, videos de pessoas que são founders ou indie hackers e entender como foi o processo deles, como eles encontraram um problema, como validaram e estruturaram. E acredito que essa seja a principal etapa, e a que eu vinha pecando anteriormente e o objetivo agora é não errar nisso.

O principal insight que tirei desse estudo foi claro, não devemos começar pela ideia, mas sim pelo problema. Antes, eu vivia criando ideias de aplicativos. Pensei, por exemplo, no Stamp: um mapa super legal para compartilhar minhas viagens com amigos. Porém, eu não tinha clareza sobre qual dor real estava tentando resolver. Quando mudamos o foco para o problema, conseguimos nos aprofundar no que é realmente necessário, conversamos com potenciais usuários e entendemos o que eles sentem para, só então, desenhar a solução certa.

O ideal é resolver um problema próprio. Ao ser o primeiro usuário do seu produto e dominar aquele nicho, o desenvolvimento flui com mais naturalidade e a motivação se mantém alta. Além disso, vale a pena mirar em um mercado supernichado, longe do radar dos grandes players. Com o avanço da AI, as grandes empresas lançam recursos em tempo recorde e dominam o público de massa com facilidade.

Pense no mercado atual, existem dezenas de aplicativos de gestão de negócios e e-commerce. Mas e se você criasse uma ferramenta focada exclusivamente no cálculo de preço de custo e tempo de produção para artesãos de crochê? Quem vive desse trabalho sabe o quanto é difícil precificar o tempo gasto em cada ponto e os centímetros de linha perdidos. Enquanto os grandes softwares financeiros atendem indústrias tradicionais e ignoram a complexidade do trabalho manual, você desenvolve algo sob medida para a sua própria rotina. É a chance de resolver a dor exata de uma comunidade gigante, mas que os gigantes de tecnologia consideram “pequena demais” para dar atenção.

Mas como saber se o problema que você encontrou vale a pena? Para descobrir se você está diante de uma dor real que precisa de uma solução, faça a si mesmo estas quatro perguntas:

  • Gasta tempo e/ou dinheiro? (Dores que pesam no bolso ou no relógio são as mais urgentes).
  • Acontece com frequência e repetidamente? (É um problema repetitivo ou algo que só ocorre uma vez por ano?).
  • Demora para ser resolvido? (Toda vez que acontece, exige um esforço demorado para solucionar?).
  • As pessoas improvisam soluções no dia a dia? (Elas já tentam se virar criando planilhas complexas, grupos de WhatsApp ou blocos de notas?).

Se você respondeu sim para todas as perguntas, parabéns, você acabou de encontrar uma mina de ouro. Mas não precisa necessariamente falar sim para todos, se o seu problema tiver entre 2 e 3 “sims”, você já tem em mãos validação suficiente para desenvolver um produto que as pessoas realmente vão querer usar.

Então seguindo esses insights decidi listar todos os problemas que tenho no dia a dia, e filtrei quais realmente são um problema que se encaixa no que falamos anteriormente, que seja algo que eu goste, nichado, fora do radar dos grandes players e que seja uma dor diária.

Eu e minha noiva temos dois cachorros: o Peter e o Berlim. Dividimos todas as responsabilidades deles, mas enfrentamos um clássico problema diário, minha noiva sai e eu fico sem saber se os cachorros já comeram. E o pior é que eles sempre agem como se estivessem morrendo de fome, mesmo já tendo comido kkkk. Além da alimentação também temos que lembrar de dar remédios nos horários certos, data das vacinas, antipulga, vermífugo e é muita coisa para lembrar e não temos nenhum lugar centralizado para controlar isso, fica tudo solto em conversas do WhatsApp.

Baseado nisso, determinei que o meu ICP (Perfil de Cliente Ideal) e com isso definido, o próximo passo é validar o problema. Usando a metodologia do livro The Mom Test, vou investigar o comportamento real das pessoas: como elas lidam com essa rotina hoje, quais “gambiarras” utilizam e se realmente se esforçam para resolver essa dor.

Em paralelo, comecei a mapear o mercado. Identifiquei 9 concorrentes que, embora não atendam exatamente o mesmo ICP, resolvem problemas similares. Vou analisar um por um, e classificar entre concorrentes diretos, adjacentes e similares.

O objetivo dessa análise não é apenas listar features, mas entender o posicionamento de cada um, como resolvem a dor, qual é o modelo de distribuição e, principalmente, os gargalos e as principais reclamações dos usuários. É justamente nesses pontos fracos dos concorrentes que está o ouro para o meu diferencial. Quero entender por que as pessoas escolhem essas soluções e, mais importante, por que as abandonam.

Para manter a transparência da minha jornada com vocês, estes são os meus objetivos da semana:

  • Trocar experiências: Conversar com fundadores que já criaram seus apps e alcançaram os primeiros usuários, para entender os acertos, erros e pegar dicas práticas.
  • Definir posicionamento e MVP: Com base na análise dos concorrentes, traçar o meu diferencial e listar os recursos indispensáveis (must-have) para a primeira versão do app, deixando o restante para o futuro.
  • Validar com possíveis usuários: Conversar com o meu ICP antes de escrever uma única linha de código. Como meu cachorro vai à creche toda semana, sei que lá está cheio de possíveis usuários. Vou aproveitar o momento de buscar o Peter e o Berlim para conversar com essas pessoas, aplicando as técnicas do The Mom Test.

Leituras e referências que me ajudaram nessa etapa

Se você também está na fase de buscar ou validar um problema para o seu próximo projeto: